Desfile de 25 de Abril de 2017

 

                      

     ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE DEFICIENTES       

 COMUNICADO

 

Ao fim de cerca de um mês da declaração do estado de emergência, a  Associação Portuguesa de Deficientes considera que as pessoas com deficiência têm sido pouco referidas nas mensagens e nas medidas adotadas nesta fase de confinamento provocada pelo Covid 19. A APD alerta para várias das circunstâncias que podem ser particularmente gravosas para os cidadãos com deficiência.

Desde logo a informação que, pese embora a preocupação em assegurar a língua gestual nas conferências do Ministério da Saúde, não tem sido acompanhada da necessária legendagem que para as pessoas com deficiência auditiva é fundamental, como noutras situações e informações relevantes. E acresce o facto de ser escassa a informação em linguagem fácil e adequada às pessoas com deficiência intelectual .

Outra grande preocupação nossa é a ausência de informação sobre a situação vivida, sobretudo por pessoas com grandes deficiências, nos lares ou residências onde estão confinadas. De que forma o surto da Covid 19 tem sido acompanhado nestas instituições, qual a realidade e quais as soluções encontradas.

Também se desconhecem os moldes em que a assistência pessoal, quer a prestada no âmbito do Movimento de Vida Independente, quer por serviços da segurança social ou das misericórdias, está a ser disponibilizada a pessoas com deficiência que deles dependem para as tarefas de vida diária.

A APD solicitou informação do Ministério da Educação sobre a acessibilidade do ensino à distância para os alunos com deficiência e até à data não obteve resposta. Que apoios educativos estão a ser disponibilizados aos alunos e aos pais para que possam acompanhar este novo tipo de ensino.

Fica em nós a sensação de que as pessoas com deficiência têm sido esquecidas nesta situação de excepção, o que nos parece particularmente gravoso dadas as condições de desigualdade em que essas pessoas sempre se encontram.

A Associação Portuguesa de Deficientes tem consciência da gravidade do momento vivido por todos os portugueses, perante a ameaça do vírus SARS Cov-2, e expressa a sua absoluta disponibilidade para apoiar, com o seu conhecimento e experiência, tudo o que possa ser feito nesta fase difícil. Nomeadamente naquilo que ajude a minimizar as dificuldades das pessoas com deficiência.

 

Lisboa, 20 de abril de 2020

 

 

Vem aí o Natal

e o capitalismo não é verde!

“O Mundo que criámos hoje como resultado do nosso pensamento tem agora problemas que não podem ser resolvidos se pensarmos da mesma forma que quando os criámos” Albert Einstein

 

Estamos a entrar na época das festividades natalícias,
período em que o consumismo dispara, estimulado por uma publicidade omnipresente e que utiliza abundantemente o vocabulário da solidariedade para vender melhor. Vamos, pois, entrar num período particularmente paradoxal, na medida em que o consumismo, motor indispensável ao capitalismo de mercado, vai conviver e, porventura, apoiar-se em palavras do discurso sobre a emergência climática. Esta é uma contradição fundamental do nosso tempo que podemos resumir no slogan “o capitalismo não é verde”, ou seja, não é ecológico. O Acordo de Paris, aquele que o Presidente Trump repudiou e que tem como objetivo manter o aquecimento global abaixo de 2 graus Celsius, assenta toda a sua filosofia na “descarbonização”, ou seja, na drástica redução das emissões de CO2. Para o sucesso deste objetivo, os transportes assumem um papel decisivo, levando à utilização crescente das baterias de lítio como fonte de alimentação energética. As baterias de lítio estão em toda a parte. Nos telemóveis, nos marca-passos, nas próteses auditivas, nas motos, nas trotinetes e bicicletas elétricas, nos transportes. Parece, pois, que as baterias de lítio, além de se transformarem numa in-finita oportunidade de negócio vieram para salvar o Mundo. O reconhecimento vem com a atribuição do prémio Nobel da Química 2019 aos “pais” das baterias íon de lítio, embora com um atraso de pelo menos trinta e quatro anos, visto ter sido em 1985 que se iniciou a comercialização desse tipo de baterias. O problema é que a Academia Sueca, que atribui os prémios Nobel, não previne que essas baterias também poluem, não quando estão a ser utilizadas mas quando estão a ser carregadas pois a maior parte das fábricas de produção 
de energia elétrica são altamente poluentes e não há nenhuma previsão da poluição que será provocada pela destruição das baterias quando chegar ao fim o seu tempo de vida útil. Pense nisso quando escolher os seus presentes de Natal e não se deixe contaminar pela publicidade!
Natal é tempo de presentes. Dos tradicionais presentes às crianças, invocando as ofertas dos Reis Magos ao Menino Jesus, a sociedade do consumo impôs que se oferecessem presentes de Natal aos adultos, pais, avós, amigos, colegas de trabalho…, provocando uma overdose de lixo, em papel e plásticos eventualmente recicláveis. Entretanto há os excluídos, adultos e crianças com ou sem deficiência que não podem sequer satisfazer as suas necessidades básicas, que vivem, ou sobrevivem, precariamente. E é aí que entram as campanhas ditas de solidariedade, para uns, ou de caridadezinha, para outros, e que são seguramente grandes campanhas mediáticas, com enormes custos financeiros e ambientais e que têm o desmérito de acalmar consciências para que a resolução efetiva da pobreza e da poluição, dois grandes problemas que ameaçam severamente a vida neste Mundo globalizado, continue em lista de espera.

Helena Rato

 

 

 

 

 

 

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Poderá consultar mais informações sobre o Regulamento (UE) 2016/679 do Parlamento Europeu e do Conselho de 27 de abril de 2016 e a sua aplicação em https://www.cnpd.pt/bin/rgpd/rgpd.htm 

 

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